Foi
graças aos imigrantes italianos, que se instalaram no Sul
de Minas, a exemplo de que ocorreu em outras regiões do
Brasil, que Monte Sião encontrou o seu desenvolvimento.
Com muita vontade de trabalhar, esperança de ter uma vida
melhor e muita fé em Deus, os italianos tombaram as terras
e plantaram café. Até que um dia, sem estímulos,
a agricultura deixou de existir.
Mas o povo italiano trouxe
algo mais que marcou, definitivamente, o dia-a-dia do monte-sionense.
Ao aportar nestas terras, esse povo lutador trouxe na mala seus
costumes e tradições. Dentre eles, uma arte, que
faz Monte Sião ser famosa em todo o Brasil e até
no exterior: o Tricô.
As mulheres, que até
então esperavam o lucro da agricultura para alimentar os
filhos, puseram fé no foi de lã e com muita habilidade
no uso das agulhas iam tecendo o que jamais imaginaram: uma economia
forte. Para ajudar no sustento peças de tricô e iam
para a praça pública vender. Foi um sucesso.
Aí entrou em cena
Dona Iracema Andretta Francisco, hoje com 74 anos. Foi ela quem
comprou, com dificuldade, a primeira máquina de Monte Sião.
A velha e boa Lanofix. Quando a máquina chegou foi um alvoroço.
Esta máquina está exposta no museu histórico
e geográfico, pertence à Fundação
Cultural “Pascoal Andretta”, entidade sem fins lucrativos,
local onde todo turista que passa por Monte Sião não
pode deixar de visitar.
E foi no começo
da década de 70 que o tricô saiu das praças
para entrar numa nova etapa.
Fui eu quem começou
tudo isso, declara Dona Iracema, que conseguiu criar todos os
filhos, sendo que uma delas se casou com um vestido de tricô
feito pela mãe.
De lá para cá,
muita coisa mudou. As mulheres ensinaram os homens e hoje existem
na cidade casos como o de Belmiro Carlos Odinino, que sem se render
as grandes evoluções tecnológicas das máquinas,
produz, com uma Elgin, 25 macacões de bebê por dia.
Tenho bons lucros e uma vida boa, a família está
satisfeita, finaliza o micro-empresário.
Andretta, Odinino, Bernardi,
Labegalini, Canela, são sobrenomes que traduzem a força
do sangue italiano no sucesso de Monte Sião. Italianos
que ficaram mineiros, ou italianas que ficaram mineiras. Mulheres
fortes que hoje se orgulham da tradição que consolidaram.
Além de uma economia
forte, a cidade esnoba beleza natural. Tomou-se rapidamente conhecida
por seu artesanato em lã, linha e couro. A evolução
e o aprimoramento desta atividade foi o principal impulso no progresso
e transformou Monte Sião no centro do chamado Circuito
das Malhas; daí recebendo o título de Capital Nacional
do Tricô.

Da
padroeira:
Por três anos, Monte
Sião viveu uma terrível seca, com raríssimas
chuvas em dois anos e um ano totalmente sem chuvas. A lenda diz
que tal fato ocorrera pela ausência da padroeira da cidade,
ela estava fora do seu trono.
Por tais acontecimentos,
os fiéis começaram a clamar pela volta da santa,
pois criam que ela traria a chuva. Isso se passou entre 1937 e
1939.
No dia em que a imagem
entrou na cidade e estava chegando à igreja, ocorreu um
fato histórico, para alguns, um milagre. Na entrada da
cidade ao sul, começou os pingos de chuva, que chegou forte
na praça da matriz. Enfim, a terra umedecida começou
a finalmente produzir.
Assombrações:
Nos velhos tempos de Monte
Sião, quando a energia elétrica era escassa, a noite
da cidade era dominada por assombrações e lobisomens.
Ninguém saía depois das 20:00 hs, com medo do coisa
ruim.
No cemitério, morada
dos fantasmas, ouvia-se vozes horripilantes vindas do fundo das
covas de mulheres traídas.
A quaresma era o período
critico. Sempre apareciam caveiras com velas dentro por toda a
parte, feitas de abóboras, cabaças, etc.
Durante este período,
um grupo folclórico de criadas escravas, saíam pela
cidade com suas rezas cantadas, lamentos longos, doidos em voz
alta, de recomendação às almas. Por sua aparição
em noites calmas, essas rezadoras, às vezes drogadas de
cachaça, soltavam gritos assustadores, tentando convencer
as almas penadas a se retirarem para outro lugar; o que apavorava
mais a população.
Mais tarde descobriram
o grupo de moços que brincavam com assombrações
e lobisomens. Tudo não passou de uma farsa.
História
de como foi construída a primeira capela de Monte Sião:
Tendo
sempre à frente do arraial o fazendeiro major Antônio
Bernardes de Souza, surgia a idéia e tinha inicio o movimento
para a construção da capela. Para tal fim, Joaquim
Euzébio da Costa Pacheco e Joaquim Marques Ribeiro, moradores
e proprietários do lugar, fizeram doação
de vinte e quatro alqueires de suas terras para a formação
do patrimônio da igreja. Dentro dessa considerável
área, nascia na parte alta e final da rua Direita um grande
largo, meio do qual ficava marcada a ereção da capela
dedicada a Nossa Senhora da Conceição da Medalha
Milagrosa.
Nesse lugar já existia
um pequeno cemitério público, construído
pelo fundador, que mais tarde recebia solenemente a benção
do primeiro vigário da capela.
O arraial crescia e a assistência
religiosa era a aspiração máxima do seu povo,
pois as dificuldades principalmente para batizar e casar os filhos,
assistir missas e se preparar para o grande luto da quaresma eram
muito grandes e penosas pela falta de meios de comunicação.
Na verdade, as famílias
do Jabuticabal (local denominado às casas próximas
a atual Praça Prefeito Mário Zucato), pessoas de
fé pura, sentiam a ausência de um padre e se debatiam
ainda com o problema das enchentes do rio Mogi, o grande obstáculo
para chegarem, a pé ou a cavalo, à paróquia
de Ouro Fino. Para esse percurso de cinco léguas, haviam
aberto um caminho na mata, que mais tarde viria a se constituir
na primeira estrada de ligação com aquele município
(ligação entre Monte Sião e a cidade vizinha
de Ouro Fino).
De fato, o povoado, como
tal, com suas três pequenas ruas, o grande largo traçado
e o cemitério, somente ficaria recolhido, para melhor se
fixar na História, em 29 de março de 1849, quando
explodia o acontecimento desejado de uma capela autônoma.
O lugar não podia
fugir à regra comum da gênese da maioria das cidades
brasileiras, fundadas sob o sentimento religioso representado
por uma capela. Ouve-se dizer que a iluminação deste
lugar foi concedida em 1819 e o processo de gestações
se arrastou no tempo para vir à luz somente em 1849. Nasceu
do trabalho heróico e das grandes virtudes do fazendeiro
Antônio Bernardes de Souza e da capacidade também
de seus companheiros, cujos nomes estão ao do principal
fundador em quase todos os documentos históricos.
Concluída a construção
da capela, do dorso de uma colina pintada de verde-natureza, no
recesso escondido da mata, com a misteriosa invocação
da Nossa Senhora da Conceição da Medalha Milagrosa,
ficava historicamente marcada, em 29 de março de 1849,
a fundação de Monte Sião, no lugar denominado
Jabuticabal.
O primeiro cemitério,
chegou até o ano de 1877, estava localizada na praça
Prefeito Mário Zucato, ao lado esquerdo da capela de 1849,
que ficava mais ou menos no centro do atual jardim público.
Nesse local sagrado sepultou-se solenemente, em 1873, o primeiro
fundador de Monte Sião, major Antônio Bernardes de
Souza.
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Conteúdo cedido pela assessoria de imprenssa de Monte Sião
Ed Braga
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