A
referência mais antiga encontrada no calendário
histórico de Monte Sião parte do ano de 1790,
quando chegava ao fim a era da mineração, principalmente
do vizinho Distrito de São Pedro, no Arraial de Ouro
Fino, onde se localizava a Guarda Mineira. Encerrando o ciclo
do ouro para dar lugar ao período da pecuária
e da agricultura, tinha inicio nesta região, por volta
de 1800, através das Picadas do Mogi, a grande corrida
em busca de posses de boas terras para formação
de fazendas.
Em 1838, o fazendeiro
Major Antônio Bernardes de Souza, então com 35
anos de idade, conferia ao lugar características de Arraial,
segundo reza a tradição, denominando-o de “Jabuticabal”.
Missionários do além mar, de passagem pelo arraial
(1850) deram-lhe o nome de Monte Sião, á vista
da semelhança do acidente geográfico local com
o nome bíblico das colinas de Jerusalém. A partir
daí o arraial alcançaria uma série de melhoramentos
na força de seu trabalho.
A via pública
do Arraial tinha o seu começo um pouco acima das pequenas
lagoas permanentes provocadas pelo antigo curso do ribeirão
que fecha a leste, procedente de São Paulo e subia obedecendo
a regularidade do alinhamento. Logo recebia o nome de Rua Direita.
A Rua Direita foi iniciada na travessa, hoje, da Rua José
Moterani e prosseguindo por uma elevação até
a velha casa dos Pennacchi, cuja madeira de construção
foi tirada do largo da Capela pelo então proprietário,
capitão José Luiz de Santa Bárbara Cavalheiro.
Essa rua, já se
denominou Rua 15 de Novembro (1894) e hoje Rua Presidente Tancredo
Neves (1985).
As outras duas vias,
popularmente denominadas Rua do Sapo (atualmente Rua Ernesto
Gottardello) e Rua da Palha (atualmente Rua Juscelino K. Oliveira)
eram alinhadas e abertas em pontos distantes, uma a leste, paralela
ao referido ribeirão e outra a oeste do povoamento.
A atual Praça
Prefeito Mário Zucato, com seu magnífico jardim
público, inaugurado em 1941, foi parcialmente projetada
pelos primeiros povoadores, onde se erigiu em 1849 a Capela
com a invocação de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa.
Por
força de Lei 665, de 27 de abril de 1854, já com
o nome de Monte Sião, o povoado passou à categoria
de distrito, ligado inicialmente ao município de Pouso
Alegre e a partir de 1880, ao município de Ouro Fino.
Em 1881 foi instituída a paróquia de Monte Sião.
Em 1888 chegam os imigrantes
italianos (cerca de 350 famílias) que passariam a influenciar
diretamente em todas as atividades, dedicando-se destacadamente
ao cultivo do café. Desde então o trabalho passaria
a ser uma vocação coletiva. No dia 06 de janeiro
de 1950, em obediência ao decreto 3208, baixado pelo governador
Milton Soares Campos, o povo monte-sionense festeja a instalação
de sua Comarca.
Em 27 de agosto de 1957,
Monte Sião passa a ser Estância Hidromineral. Em
1982, Monte Sião é transformada em cidade turística.
A partir daí, seu progresso foi cada vez mais gradativo.
É hoje conhecida internacionalmente.

Em
1815, a região de Monte Sião era conhecida por “Lotério
Acima”, em razão do Rio Eleutério, que nasce
no centro do território deste município e corre
com esse nome até a antiga região do “Lotério
Abaixo”.
Em 1819, teve início
a formação do lugar ao pé do Morro Pelado
com a denominação de Bairro do Eleutério,
para mais tarde, em 1838, receber o nome de Arraial do Jabuticabal.
No ano de 1850, os frades
franciscanos, frei Eugênio Maria de Gênova, frei Arcanjo
e frei Francisco, vieram pregar as santas missões no povoado
e à vista da semelhança do referido morro, que se
ergue a oeste, com o monte bíblico das colinas de Jerusalém,
que bem conheciam, sugeriram então a denominação
de “Monte Sion” ao lugar, que foi bem acolhida pelo
povo.
A partir daí, o
primeiro capelão passava a escrever os acontecimentos religiosos
com esse nome, porém a comunidade, muito simples, ao invés
de falar corretamente “Sion”, pronunciava “Sião”
e tanto isso é verdade que, quatro anos depois, em 1854,
o arraial subia a Distrito de Paz, já com a denominação
de “Monte Sião”, como bem pronunciava o povo
antigo e assim ficava sentenciado para todo o sempre.
A
partir de 1887, Monte Sião começava a receber as
primeiras leva de imigrantes, pobres, vindo da Europa, para as
atividades rurais, principalmente na maior produção
de café.
Sob forte influência
dos imigrantes italianos que, desde então, continuavam
se instalando no Distrito; este lugar conhecia dias agitados,
jamais vistos antes, bem ao sabor de seus novos habitantes, um
povo vigoroso, falante, de sangue quente, disposto ao trabalho.
Havia uma espécie
de “Consulado” clandestino, instalado no bairro da
Guardinha, distante 13 quilômetros, onde residia e predominava
o “Cônsul” Pellegrino Tortelli, um dos primeiros
italianos a pisar o solo monte-sionense. Ali já se achavam
também os Pamontin, que cuidavam da fabricação
do vinho para a pequena colônia, que começava tomar
corpo e se estender por toda área da Freguesia.
As famílias que
chegavam, a maioria procedente do porto de Santos e mais de perto
através de Amparo e Bragança, logo se dirigiam para
o referido “Consulado” e, depois de instruídas
onde melhor se fixar, partiam direto para as fazendas de café
e algumas, mais instruídas, para a sede da paróquia.
Já no inicio do
novo século, a agricultura, base econômica de Monte
Sião, era sensivelmente incrementada pelo trabalho ingente
e perseverante dos imigrantes. A sede prosperava a olhos vistos
com a abertura de vias públicas, construção
de grande número de casas residenciais e comerciais, mudando
radicalmente, também, toda estrutura social e política
do lugar e particularmente todo sistema de vida de sua comunidade
até então muito enclausurada e circunspeta.
Os italianos, já
em grande número, além de suas excelentes qualidades
no trato de terra, agitavam tudo, ingressavam e engrossavam sem
cerimônia na política partidária, quando Monte
Sião começava sonhar com sua emancipação.
Essa gente “buona” e alegre, de fato, chegava para
modificar e até bagunçar todo plano e hábito
do pequeno lugar, tanto na parte política, como em todas
as atividades sociais, religiosas, econômicas, educativas
e principalmente culturais.
Assim se desenrolava, no
começo do século XX, a altiva herança do
major Antônio Bernardes de Souza, dentro de uma sucessão
de fatos os mais significativos, como falam os documentos históricos
e rezam as tradições.
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